3399affc183e2997d2ce60881445023f

A energia das tragédias: não caia nessa

Publicado em 14/08/2014 • Coluna

Hoje, mais cedo, fiquei remoendo sobre como ajudar meus amigos que perderam amigos no acidente de ontem. Sou jornalista e tenho vários contatos em comum com a turminha que partiu para uma melhor, a comoção estava muito forte. Então, já acordei com texto pronto, na ponta do teclado, e postei isso no meu Facebook pessoal:

“Como diz a Monja Coen, o sofrimento é aquilo que dá na hora, o resto é memória. Estamos adaptados e apegados a memórias sobre o sofrimento, uma coisa quase que romântica do nosso tempo. Então, não vamos nos deixar levar pelo desespero, aceitemos e desapeguemos na medida do que for possível. Não nos contaminemos pela TV, pelos detalhes, pelas tragédias, pela dor do outro. É uma arte, mas vamos aprendendo, sempre, que aceitar e desapegar é um bom caminho. Deixemos os idos descansarem em paz, afinal, a vida sempre sabe o que é melhor para nós. É hora de confiar em Deus.”

Sim, o budismo e os textos de Monja Coen podem ajudar muito em momentos de perda. O desapego é uma das mais belas lições que o budismo traz quando o assunto é a partida de entes próximos. Leia tudo que puder e pratique a compreensão sobre a impermanência.

Mas, o que eu vim aqui falar é sobre esse aura de comoção e desespero que nós ficamos acometidos quando uma tragédia acontece no país. Sim, somos humanos, compassivos, pessoas que se importam com as demais. Eu mesma passei o dia vendo takes de TV ontem, especialmente pela manhã. E, como eu me conheço, sei que absorvo bastante coisa, soube a hora de parar. Mas é muito hipnotizante, sim. Então, o cuidado deve ser redobrado.

A questão é que usamos o ego quando não é para usar e não usamos quando é para usar. Neste caso, é para usar, ser egoísta – no bom sentido da palavra. Quer ver?

Você realmente precisa saber de todos os detalhes do acidente? Você precisa mesmo se colocar no lugar as viúvas, mães? Você realmente precisa sofrer tão profundamente junto?

Pausa: essa introdução todinha foi pra falar de energia, ok, gente?

A energia das tragédias nos traz sentimentos como tristeza, angústia, dor, sofrimento, pesar, e a cada pessoa que entra nessa onda, outras mais vão entrando. Às vezes sem nem querer a gente entra nessa. De repente, estamos tristes, abatidos. Vários amigos meus não dormiram bem esta noite. E o motivo? As imagens remoendo na cabeça. As informações remoendo na cabeça.

Essa energia ruim que se acopla na gente em nível nacionalizado – sim, o Recife ficou completamente apático – e várias cidades também, essa energia não precisa existir. Não é que não seja para não se envolver. Vou dar um exemplo que algumas pessoas entendem bem: Ao assistir programas policiais sensacionalistas o que você pensa? Que porcaria! Só fala de coisa ruim! Precisa mostrar isso? São tragédias e polêmicas iguaizinhas as de ontem. Eu fico desesperada só de ouvir a voz dos apresentadores. Na hora saio limpando a casa e ouvindo cantos gregorianos. E foi a mesma coisa com o Facebook: não quero ver/ler o que não preciso. Será que você não se sentiria melhor se evitasse esse aprofundamento sobre notícias tristes?

Então, por mais que você esteja envolvido, ame, queira abraçar os amigos que estão temporariamente entristecidos, faça o seguinte: não caia nessa energia que desestabiliza sua aura. Se limpe, ore, se cuide, vibre bem alto. Faça parte dos trabalhadores da luz que estão cuidando pouco a pouco desse mundo para ser um lugar melhor com carinho, amor e oração. Não se desespere.

Ontem, antes de dormir, enviei Reiki a distância para algumas pessoas e pedi para todos os anjos me darem uma boa noite de sono. Foi o que tive. Dormi super bem, sem ranços do que passou na TV, e acordei super disposta.

Outra palavra-chave para o momento é: aceitação. Deus e a vida sabem o que fazem. Lembram do menino que foi arrastado em São Paulo? Aquilo aconteceu com ele porque ele tinha um acordo de vida para pagar suas dívidas com o divino. Seu espírito já veio preparado para aquilo. Claro que não é fácil para quem fica. Você que assiste fica puto, desesperado, revoltado. Mas é o que eu disse aí em cima: Não se desespere, só o outro tem que viver as emoções que são próprias de sua vida, daquilo que é dele, firmado em reinos muito elevados. O que essas pessoas estão passando são deles, das famílias deles.

Lá em cima tudo vai ficar mais claro. Agora é hora de aumentar essa vibração, deixá-los em paz ( o que significa deixar a tristeza de lado e somente orar para encontrarem a luz ) e seguir em frente, com nossas próprias missões. Eles estarão bem.

Claro que se você estiver em condições emocionais adversas, bote pra fora. Mas, de maneira geral, não se envolva tanto, por favor. Pelo seu próprio bem e pelo bem de todos.

Fiquemos em paz, na paz, com a paz. E continuemos com ela.

 

Ilustração by Emiliano Ponzi



Escreva seu comentário

* Campos obrigatórios