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A energia Yin e a mulheralidade

Publicado em 15/03/2016 • Coluna

Antes de começar, queria dizer que não cabe a mim e não estou aqui para questionar políticas voltadas ao gênero. Quero apenas refletir sobre as energias relacionadas ao feminino. Eu entendo e tenho gratidão pela bela história de lutas que nossas ancestrais (e nós também) tiveram, ao longo de séculos, afinal, foram muitas lutas e sacrifícios para que houvesse a liberdade que temos hoje. Gratidão. _/\_

Hoje eu queria falar sobre o lado Yin, feminino, doce, sensível que todos nós temos, em especial, a mulher. Segundo os chineses, o mundo é composto por forças opostas e achar o equilíbrio entre elas é essencial. Por isso, o Yang, a força oposta ao Yin, também deve existir em partes iguais. Yin é o princípio passivo, feminino, noturno, escuro e frio. Ele fica do lado esquerdo da esfera, na cor preta. É, normalmente, o nosso lado direito do corpo, nosso cérebro esquerdo.

Ao longo das décadas, ficou muito claro que de tanto lutarmos para conquistar o mundo, bons empregos, uma boa posição na vida, foi preciso deixar de lado um pouco do nosso contato com a natureza, com o preparo de alimentos, com a inteligência das ervas. E agora estamos colhendo, nós, os frutos de um não-equilíbrio nesse processo, que emergiu no meio do caos. Alimentos industrializados ganhando espaço, saúde das crianças debilitada, um número maior de crianças em formação criadas com pouco afeto e muita ausência, mais doenças comportamentais. Aqui, não quero buscar culpados, mas reflexões e soluções.

feminino-1Obviamente não é fácil estar neste lugar. Ser mãe, cuidar de casa, ser ótima profissional. Em países mais desenvolvidos tanto a mãe quanto o pai têm licenças muito mais largas que a nossa. E a qualidade de vida das pessoas, emocionalmente, parece ser muito melhor. Por que digo isso? Vejo com muita recorrência dentro dos consultórios adultos deprimidos porque não sabem o que é o amor, na perspectiva do Criador. Receberam afeto, mas a maternidade sem integralidade com a consciência esconde questões emocionais muito graves, especialmente no momento da gravidez. A falta de afeto da mãe parece provocar feridas muito fortes.

Mas, graças a alguns movimentos energéticos de uma nova esfera dimensional, o Sagrado Feminino, o Naturebismo e a Cosmetologia Natural vêm crescendo muito, a ponto de algumas mulheres se questionarem se é isso que querem para a própria vida. O modelo padrão de mãe-profissional-esposa perfeita não cabe mais num processo saudável para a família. Não faz parte da nossa energia genuína ser tudo isso. Somos acolhimento. Somos amor. Somos o próprio ato de cuidar.

Obviamente que várias mulheres têm na sua curva energética um grande aspecto Yang, de mais força interior, mais energia de praticidade, e se dão muito bem nesse processo. Mas eu queria deixar aqui um questionamento muito muito simples: qual o modelo que completa você como ser humano? Como sua essência é mais feliz? E aí é com você e sua resposta.

Passei 10 dias em casa. Sou dessas pessoas que detestava, até dia desses, cuidar da casa, da cozinha, de si própria. Aliás, por mim não tinha tirado nem férias porque ficava completamente descolada sem estudar/produzir. Eis que mudei muitas crenças minhas através de muitas técnicas terapêuticas diferentes, um trabalho que vem sendo feito desde janeiro, e, sim, estou muito feliz de estar em casa no processo de cuidar com amor. Mudei e me sinto completa com o ato de cuidar de um jardim ou fabricar meu próprio xampu.

Não precisamos, definitivamente, ser igual a nenhum homem e nem mesmo a nenhuma mulher, e esse texto não trata de comparação. Acredito que só precisamos ser nós, respeitando o nosso Yin, nosso Sagrado Feminino, em equilíbrio com nosso Yang. Na medida em que nos conectamos com nossa essência, nosso mundo se transforma. O amor renasce através do cuidado, do afeto, da atenção.

Uma das nossas filosofias relacionadas a este movimento é o Sagrado Feminino. Nele, as mulheres aprendem a se desvincular de padrões de beleza e regras. Elas descobrem como se amar exatamente como são e passam a se enxergar como “Deusas”. Afinal, o ato de gerar, parir, nutrir, amar e intuir pode ser considerado uma dádiva das mulheres. E isso não é melhor nem pior que ser homem. É simplesmente se aceitar e ser feliz. Se reencontrar com sua essência mais pura.

O útero, considerado nosso segundo coração, é lugar de paz, de criatividade, de amor, de vitalidade. E é com ele que também devemos nos conectar para chegarmos até a nossa essência sagrada. Menos cérebro, mais útero. Toda forma de autocuidado é válida. O amor é nosso motor. E como você expressa o amor?

( Quando digo menos cérebro, não é questão de inteligência, creio que existam inúmeros tipos de inteligência no mundo )

Claro que hoje é difícil se sustentar apenas de amor e cuidado. Dependendo da sua profissão, é uma tarefa muito complexa. É preciso que a energia do dinheiro também flua, mas sem prazer e afinidade com a essência, não há fluidez. Mas vamos a mais perguntas: o que seu trabalho traz de prazer, de paz, de harmonia para sua vida? Você é de fato uma mulher no seu trabalho ou está navegando no modo automático?

Finalmente, onde foi parar sua conexão com a Mãe Terra e as outras mulheres da sua vida? Pergunto isso porque, gente, não tem coisa mais dolorosa que ouvir que nenhuma mulher presta. Não somos concorrentes, somos suporte uma das outras, somos filhas de Gaia. Unidas, seremos tudo, como já somos. Somos única, uma, todas uma só. Então, as mulheres prestam, sim, e são lindas e harmônicas. São nossas irmãs maravilhosas.

Finalizando, queria dizer que é preciso pensar para onde queremos que o nosso sopro da vida nos leve. E, seja qual for sua escolha, que seja feita de forma consciente, principalmente quando envolve a geração de novas vidas, novos seres humanos.

Sejam felizes na mulheralidade, no útero, no ovário, na energia Yin que existe em vocês. Resgate a sua essência.

 

Imagens retiradas do Pinterest, não encontrei o nome exato dos autores.


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