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Coluna: Sobre terapeutas, ego e complexo de Xuxa

Publicado em 24/08/2015 • Coluna

A maioria das vezes a gente entra na terapia para se curar de algo ou ajudar alguém próximo. O meu primeiro contato foi o Reiki, poucos anos atrás. Nunca havia feito uma única sessão e, dentro do primeiro curso, descobri que era um chamado para algo muito bom na minha vida. Dali em diante, nada mais foi o mesmo. A roda gigante começou a bailar.

Logo depois, mais formações vieram, até que me tornei mestre de Reiki e comecei a atuar com mais profundidade em algumas técnicas. Algumas com mais afinidade, onde me encontrei profundamente, outras menos. Mas tudo serviu para me apontar para caminhos importantes.

Apesar de todos falarem do meu potencial de cura, no que de fato eu acredito, hoje a história mudou. Ao invés de querer ajudar os outros, quero muito mais ajudar a mim mesma. Uma vez, num workshop de Hoponopono, a palestrante nacional falava, justamente, que não é porque a pessoa se torna terapeuta que não tem mais problemas. Como qualquer ser humano, tudo é uma questão de consciência.

Não atuo somente com terapia. Sou jornalista e atendo clientes em redes sociais de diversos segmentos, incluindo os terapeutas. Porém, minha batalha de cura é enorme. Considero que, quanto mais mergulho na terapia, mais curas preciso realizar em mim mesma. O que estava superficial cada vez mais emerge para ser limpo.

O que eu quero dizer com tudo isso é que não se admire se seu terapeuta tem altos e baixos, perdas e ganhos. Somos absolutamente normais. Estudamos cura, estudamos técnicas, estudamos pessoas e energia, mas o mundo é enorme, meu bem. A vida é longa, apesar de curta. E temos muito trabalho a fazer, incluindo nós mesmos.

Ainda assim, tem dias que a gente se sente como quem morreu. Sim, eu me deprimo, eu caio, levanto, mas eu me conheço cada vez mais para tentar me manter sempre atenta ao que está por vir. Eu conheço boa parte das minhas dores e seus motivos de existirem. Tem dias que não consigo fazer uma única aplicação de Reiki em mim ou em outras pessoas. Dizer uma única palavra de conforto para alguém. Porque, tcharam, sou tão humano quanto você.

Resolvi dizer isso porque alguns terapeutas no país colocam tantas, tantas, tantas coisas lindas e boas e felizes na testa que parece terem alcançado o nirvana, deixando a gente mais baqueado ainda. Poxa, como é que ele consegue ser tão zen, tão feliz, tão alto astral. Cara, isso é que ele MOSTRA, mas a gente não sabe como ele é no dia a dia, lá no seu íntimo. Essa história de complexo da Xuxa nunca me convenceu, nem antes das terapias.

Uma vez, uma pessoa da área enganou outra para tentar ganhar o mercado de essências. Outra vez, um terapeuta se estressou violentamente porque eu não tinha feito a divulgação dele com exclusividade. Outra vez, um resistiu tanto às minhas sugestões que ele resolveu fazer tudo por ele mesmo. Lembro de uma cliente minha de florais que apresentava quadro de depressão profunda e ainda assim só vivia com fotos muuuuuuuito felizes no Facebook. A verdade, florzinha, é que a gente só mostra o que quer, e isso não significa que ela, eu ou você estejamos certos. Pode até ser um meio dela lutar contra a doença. Apenas seja.

Respire fundo e se permita sentir suas emoções como elas são. Claro que você quer sempre melhorar, mas se o dia tiver mais pra lá que pra cá, relaxe, não se cobre tanto. Terapeutas não são deuses, não são intocáveis. São guias para determinados momentos da nossa vida, que tem ego elevado assim como eu ou você também poderemos ter. Sim, eles podem ter alcançado o nirvana, mas também esquecem de pagar contas ou também comem um pedacinho de carne vez ou outra.

A maioria é super gente fina, boa e sincera, mas o que a gente quer mesmo é se curar. Eu, você e todo mundo da área. Não tem certo, não tem errado. Tem uma escada para cada caminhada. A minha está só no começo. Vamos lá!



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