Malunguinho

Salve, Malunguinho da Jurema!

Publicado em 23/07/2014 • Espiritualidadde

Quando me formava em Jornalismo, uma das minhas colegas de turma fez um trabalho de resgate em vídeo sobre a Jurema, um antigo ritual afro-indígena que atrai adeptos de todo o Nordeste. Foi a primeira vez que tive contato com os juremeiros. Pesquisas para lá e para cá, encontrei vários vídeos relacionados à figura do Mestre Malunguinho, que tem uma belíssima história junto ao povo brasileiro. Então, visto que os rituais ainda não tem tanto espaço na mídia tradicional e ou alternativa, achei por bem trazer um resumo da história e do Mestre Malunguinho, entidade tão adorada no culto à Jurema Sagrada. :)

 

A Jurema

JuremaPor meio de cantos, danças, infusões, cachimbos e dizeres sagrados, os índios se colocavam em contato com seus antepassados e com outros seres do plano espiritual. Na fé que colocavam, acreditavam que, ao enterrar seus antepassados nas raízes da Jurema, dariam a eles a oportunidade de elevação espiritual. E aí nascem as primeiras manifestações de uma religião inicialmente indígena e que, aos poucos, vai se misturando à africana e cristã.

A jurema é uma árvore da Caatinga e do Agreste que tem sua casca utilizada para a fabricação de uma bebida de poder que concede força, sabedoria e contato com seres do mundo espiritual. É dessa forma que o uso da árvore desencadeia a formulação de uma experiência religiosa com mesmo nome. Ao longo do tempo, a Jurema incorporou uma série de influências que impedem a formulação de um padrão ritualístico mais extenso. Assim, praticantes da Jurema são simplistas, bastando uma reunião em terreiros ou casas para realizarem a ingestão da bebida feita a partir da árvore, empregando o uso de tabaco e buscando o contato com um mundo espiritual alcançado através da elevação espiritual. A fabricação da bebida conta com uma mistura que leva cascas de jurema e uma espécie de vinho preparado com álcool, mel, gengibre, hortelã, cravo e canela.

Nos cultos da Jurema temos a figura dos mestres que ocupam a função de líderes, responsáveis pela incorporação de espíritos que curam e aconselham os praticantes, mais conhecidos como “juremeiros”. Além de fornecedora de um elo com o chamado “reino dos encantados”, a jurema é considerada poderosa por ter, nos tempos bíblicos, escondido Jesus Cristo quando este fugia para o Egito, em gratidão, Ele lhe teria preenchido com poderes diversos.

Mestre Malunguinho

Um dos documentários feitos pela Católica sobre a Jurema é este, que traz o foco no Mestre Maluguinho, peça fundamental para os praticantes e adorado por todos. “Malunguinho”, para quem não conhece o termo, é um nome pelo qual se chamavam os negros que vinham da África e ficaram muito tempo juntos durante a viagem. Como verdadeiros irmãos.

Malunguinho (2)Aqui, em sua vida física, viveu em Pernambuco na primeira metade do Século 19, quando foi chefe (Rei) do quilombo do Catucá. De grande poder e força, foi libertador de muitos irmãos que viviam nas senzalas. Alto, forte e bravo, era temido por todos os senhores brancos. A lenda conta que ele tinha uma chave magica que abria todas as correntes.

De libertador, passou a precisar de cuidados, pois foi atingido pelo Exército quando o mesmo invadiu seu quilombo. Foi abrigado, quase à beira da morte, pelos índios, que curaram seus ferimentos e se tornaram sua nova família. Dali em diante passou a assimilar a tradição indígena em sua vida física e espiritual e onde se reencontrou com a espiritualidade. Algum tempo depois foi reconhecido como grande juremeiro, libertador de espíritos. Refez a Jurema e realizou sua obra na Terra, juntando seu povo e trazendo iluminação a quem dele precisa. Só partiu muitos anos depois da Jurema restabelecida, contando a lenda que continuou na tribo até sua morte, sem nunca o Exército tê-lo pego.

 



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