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Entrevista: Paulo Marques e a Psicoterapia

Publicado em 08/10/2014 • Entrevista

Paulo Marques, um dos primeiros psicoterapeutas do Recife, tem nada menos que 84 anos de idade. Os olhos são leves, a bagagem nas costas é cheia de experiências, mas no coração, só cabe o que importa. Por isso, tem a disposição de um garoto de 20 anos e uma vontade de fazer muito ainda por aquilo que ama: as pessoas. O conheci na Holomais, numa sessão de fotos e, logo de cara ele me disse: você é muito cheia de amor. E a recíproca aconteceu. É daquelas pessoas que a gente bate o olho e só vê bondade, apesar de acreditar fielmente que ele também pode ser totalmente realista e, como qualquer humano, tem altos e baixos. Um Paulo assim, ainda mais admirável porque poderia estar muito além do corpo físico e do plano da Terra, mas prefere conviver e viver a vida, como todo aquele que ama o que faz. Sapiência, leveza e humildade são três palavras simples que o descrevem bem. Mas a energia-paulo que os íntimos conhecem, só vendo de perto para sentir. E, claro, dar os pulinhos que “velho não dá”. Confira o papo que tive com ele. ;)

Quando você conheceu a Psicoterapia?

Devido eu ser uma pessoa atraída pelas coisas místicas (acho que é algo que conforta muito) aconteceu de eu ficar sabendo de um curso de Vivências Passadas , pelo qual me interessei muito. Pensei: – Eita, que barato! – mas era o último dia da inscrição. Corri e não havia mais vagas, por sorte, a psicóloga responsável  liberou para mim. Daí então passei mais de dois anos estudando o tema, com aulas no  Instituto Nacional de Terapias de Vivências Passadas, de São Paulo. Foi no começo da década de 90, quando ainda não havia cursos do gênero no Recife. Um ou outro terapeuta fazia isso intuitivamente. Mas, antes disso, eu já atuava como psicólogo. Me formei em 77, mas resolvi seguir uma linha mais descontraída, colocando “congruência” no atendimento. Fico de peito aberto com o cliente, até hoje, no meu eu mais real, com fraquezas e méritos, criando assim uma relação de igual para igual. Minha experiência de certa forma credibiliza minha informação, minha orientação. Pela minha abertura e intuição, tinha o perfil para a Psicoterapia. Sempre achei  incrível atender pessoas, lidar com o ser humano. Acho até hoje. É lindo!

Sempre achei  incrível atender pessoas, lidar com o ser humano. Acho até hoje. É lindo!

E o que mudou depois do curso?

– Meu deus, a gente já existia antes! O espaço de vida a ser considerado em psicoterapia holística de base transpessoal leva em conta toda uma ancestralidade incluindo as supostas vidas passadas com eventos de impactos traumáticos interferindo na vida atual. Essas informações  ampliaram minha visão e consequentemente trouxeram mais eficiência e mais rapidez nos atendimentos. É muito interessante, isso mudou a minha vida.  Hoje em dia já se estuda toda uma gama de fenômenos extra físicos, como a espiritualidade, a saída do corpo e as projeções. Mas o mais importante foi a minha evolução nesse contexto abrangente, muito profunda.

Como funciona a sessão?

A nossa mente é limitada, é através da mente em expansão que temos insights, abrimos espaços para curas. Então, na sessão, que pode durar entre duas e três horas, converso muito com o cliente. Na sequência, através de um relaxamento semelhante ao estado meditativo mas com o consciente acompanhando,  ocorre uma expansão no campo da consciência que o leva  à  percepções extrafísicas (que são aquelas  além daquelas dos cinco sentidos conhecidos) capaz de localizar situações passadas – próximas ou remotas – que afetam e entravam seu momento de vida atual. A partir de então bloqueios são ‘removidos’ colocando a pessoa de volta no seu caminho evolutivo, livre e pleno.  A Psicoterapia aponta caminhos, conscientiza e possibilita  percepções cada vez mais nítidas, além de levar a superações no curto prazo. É uma experiência pessoal extraordinária!

Cito aqui algumas indicações: angústia, ansiedade, depressão, fobias, distúrbios psicossomáticos como úlceras gástricas, asma e problemas dermatológicos. Além de auxiliar nos tratamentos de doenças degenerativas e outras. Eficaz no tratamento da gagueira e no caso de problemas nos relacionamentos interpessoais.

Como o cliente te procura, normalmente?

Ele vem principalmente estimulado pelo método de alcance – tanto regressivo, mais comum, como progressivo – nesse caso, eliminando tensões geradas por expectativas futuras e pré-ocupações desnecessárias.

É algo novo no Ocidente?

De certa forma, sim. O Ocidente é altamente pragmático. Aqui no Brasil, a técnica  em questão começou a ser difundida recentemente através da psiquiatra Maria Júlia Prieto Peres, presidente do Instituto Nacional de Terapias e Vivências Passadas – SP onde fiz minha formação, como já citei.  O Oriente é místico, já vive há milhares de anos levando em conta as sensações extrafísicas. No Egito antigo, por exemplo , há registros da prática de regressão de memória.  Os chineses têm como hábito a cultura da prevenção na saúde. Sua medicina é de apoio, preventiva. A Índia é uma referência no método de regressão em função das pesquisas desenvolvidas em suas universidades. Países desenvolvidos considerados potências mundiais, como Estados Unidos, estão cheios de Ashram. A Califórnia é hoje um pólo holístico. Está ocorrendo uma movimentação muito interessante integrando a visão mística do Oriente com a visão científica do Ocidente e é por isso que temos a sensação de que as coisas estão mudando do lado de cá também. Estão, realmente!

Você é muito conectado ao cosmos. Como é possível se manter tão lá, mas ainda no plano terreno?

Eu casei de novo, cuido da família, tenho amigos, projetos de vida – simplesmente estou na Terra. Mesmo tão ligado ao cosmos me mantenho terráqueo, gostando de sol, de mar, das coisas da terra, dos animais, das plantas.

Sou um Planetário Universalístico.

Gosto de me sentir um homem comum, fazendo coisas comuns.  Como a vida é linda!

E os projetos atuais?

Não posso deixar de citar a Holomais,  a novidade  mais recente – um  grupo de trabalho do qual me orgulho de fazer parte e onde fui muito bem acolhido desde o início, sem preconceito, com liberdade para atuar como venho atuando desde 2013, do meu jeito. A proposta de trabalho integrado tem tudo a ver comigo. Sem falar que muito mais que profissionais-parceiros, ganhei novos amigos e oportunidades como essa de estar aqui sendo entrevistado!



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